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MULHER OOO

O que Crepúsculo nos ensina sobre tendência e resgate cultural

  • Foto do escritor: mulheroutofoffice
    mulheroutofoffice
  • 28 de jul.
  • 2 min de leitura

Você já reparou que, de alguns anos para cá, gostar de Crepúsculo voltou a ser cool? Durante a divulgação de The Batman (2022), o próprio Robert Pattinson disparou em uma entrevista: "Não é mais legal ser hater de Crepúsculo, você não sabia?". O ator não estava brincando. O fenômeno pop vive um evidente resgate cultural: marcas de beleza lançam coleções inteiras inspiradas na saga, conteúdos nostálgicos voltam a viralizar e o cinema abraça o tom de clássico camp.


Eu fui uma criança que amou Crepúsculo, mas também uma adolescente que aprendeu a fingir odiá-lo. Cerca de cinco anos após o lançamento do primeiro longa, o desdém pela história de Stephenie Meyer era quase unânime no meu convívio. Era a era de ouro dos memes do YouTube, e a seção de comentários de qualquer vídeo popular invariavelmente trazia o clássico deboche: "Ainda assim, uma história de amor melhor que Crepúsculo".

O que mudou de lá para cá? Será que o mundo finalmente passou a respeitar produções consumidas majoritariamente por garotas? Parte de mim quer acreditar que sim. No entanto, analisando o cenário mais a fundo, comecei a teorizar. A essa altura, uma grande parcela das fãs fiéis cresceu e revisitou a obra — não apenas os filmes, mas os livros.


"Eu peguei um CD que Phil havia me dado de Natal. Era de uma das minhas bandas favoritas, mas eles usaram baixo e agudo demais pro meu gosto".

E isso nos leva à motivação principal desse resgate. Na época do "ódio coletivo", a principal crítica do público leigo era de que Edward e Bella eram personagens pamonhas, advindo do significado mais puro da palavra. O roteiro dos cinemas certamente não ajudou, mas faça o seguinte exercício baseado na obra literária: visualize Bella como uma garota provavelmente autista e autossuficiente, que aprendeu a se virar sozinha após uma infância negligenciada. Ela tem hobbies específicos — gosta de cozinhar, fazer trilhas solitárias e ouvir metal. Aos 17 anos, recomeça a vida com o pai no outro extremo do país e consegue um emprego em uma loja de artigos esportivos local. De vez em quando, vai passear de moto, mesmo sendo recém-habili

tada e precisando dirigir escondida do pai.


"Eram só vinte e cinco quilômetros de Forks á La Push, com suas lindas florestas verdes e densas na beira da maioria das estradas..."


"Dirigi para o finalzinho da estrada de terra, parando perto da placa que marcava o início da trilha."

Nos cinemas, quase toda essa construção de personalidade foi apagada, restando apenas uma narrativa inteiramente centrada em Edward. Fica a provocação: a indústria de Hollywood realmente acreditava que o público jovem feminino só se interessaria pelo romance factual, descartando a complexidade da protagonista?


"Eu estava melhorando com a moto, o que significava menos curativos para preocupar Charlie."

De 2005 para cá, nossa cultura evoluiu significativamente no debate sobre representatividade. Redescobrir que a primeira protagonista neurodivergente da pré-adolescência de muita gente estava ali, camuflada sob os holofotes de um romance de vampiros, talvez seja o verdadeiro motivo por trás desse novo hype. Ela sempre esteve em nossos corações; agora, finalmente entendemos o porquê.


"— Às vezes trabalhar na Newton’s pode ser contagiante — assinalei. — De tanto passar dia após dia vendendo todas as vantagens da vida ao ar livre, acabamos ficando curiosos."


 
 
 

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